As pernas da professora Isaura.
Este é o título da crônica de Inácio Loiola Brandão no Estadão de domingo.
Ler a crônica dele fez me voltar a 1953 .
A gente, eu e toda garotada dos sítios vizinhos, íamos à Escola Mixta da Fazenda Amarela.
Assim mesmo, com erro de grafia ” mixta” pintado na parede.
Uma professora, menina de 19 anos, assumira a classe.
Era uma única sala.
Três fileiras.
Em cada fileira uma série.
Não havia, ali ,o quarto ano.
Quem quisesse, pudesse, deveria fazê-lo na cidade.
Na minha memória,Maria Teresa, a professora era linda!
Jovem, batom,rouge, unhas esmaltadas,cheirosa…
Usava vestido tubinho.
Coladinho no corpo.
Aos nossos olhos era linda,angelical !
Afinal nossas mães viviam às voltas com fogão a carvão .
No tanque.
Assando pão no forno.
Ajudando na terra.
Matando e limpando o frango para o almoço.
Maria Teresa era o máximo de beleza…
Chegava de charrete.
Ao por o pezinho no estribo subia lhe o vestido tubinho .
Pernas branquinhas…
Os meninos vibravam…
As meninas enciumadas!
Só memória…
Muitos anos depois: sou o delegado de ensino da zona leste de São Paulo.
Maria Teresa, sexagenária,entra na Delegacia de Ensino.
Agora ,ainda, uma mulher bonita.
Vai corrigir um documento para a segunda aposentadoria.
Chamam me.
Apresento me.
Digo que fui seu aluno.
Olha me:gordo ,careca!
Meneia a cabeça…
” meu não, da minha mãe, talvez!”
Fazer o que?
Não sei se Maria Teresa, hoje nonagenaria,ainda vive. Na minha memória ainda tem 19 anos…
Boa tarde, gente amiga querida, que as bênçãos sejam abundantes e permanentes.
Pra todos, e ,principalmente, para as Maria Teresa que ,de charrete, enfrentaram a dureza da vida pra ensinar…
Boa e abençoada tarde noite pra todos!
As pernas da professora Isaura.(THOZZI)

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